Massimo Privitera
(Università degli Studi di Palermo | UNIPA)
Tarantella: metamorfose identitária de uma dança
O tarantismo é uma forma de cultura popular do Salento (sul da Itália), documentada desde a Idade Média e que permaneceu vital até algumas décadas atrás. Nele, a música e a dança eram utilizadas para curar manifestações convulsivas de caráter orgiástico arcaico, atribuídas à picada de uma aranha chamada tarântula da cidade de Taranto. A música do tarantismo - taranta ou pizzica - espalhou-se ao longo dos séculos por todo o sul da Itália, assumindo diferentes formas e transformando o caráter ctônico da dança original em uma alegre dança de namoro. Tomando o nome de tarantela, entre os séculos XVII e XVIII esta dança consolidou-se como elemento central do folclore de Nápoles, tornando-se um emblema identificativo da nação e do povo napolitano. As representações da tarantela em pinturas, desenhos, guaches e gravuras são, nos séculos XVIII e XIX, numerosas e variadas. Criados por pintores e gravadores napolitanos e estrangeiros, espalharam-se pela Europa, Rússia e Américas. Contribuem para fazer da tarantela uma espécie de representação mítica internacional da alegria da dança, do corpo e do amor. No meu relatório abordarei algumas imagens particularmente exemplares deste mito, entre os séculos XVIII e XIX, e concluirei mostrando brevemente o renascimento que a taranta viveu em Itália nas últimas décadas, atraindo jovens e adultos em mega eventos pop.
ORIGINAL: Il tarantismo è una forma di cultura popolare del Salento (Italia meridionale), documentata a partire dal medioevo e rimasta vitale fino a poche decine di anni fa. In esso la musica e la danza venivano usate per curare manifestazioni convulsive dall’arcaico carattere orgiastico, attribuite al morso di un ragno detto tarantola dalla città di Taranto. La musica del tarantismo – taranta o pizzica – si è diffusa, nei secoli, in tutto il meridione d’Italia, mutandosi in forme diverse, e trasformando il carattere ctonio della danza originale in un gioioso ballo da corteggiamento. Prendendo il nome di tarantella, Tra il Seicento ed il Settecento questa danza si consolida come elemento centrale del folclore di Napoli, e viene assunto ad emblema identitario della nazione e del popolo napoletano. Le rappresentazioni della tarantella in quadri, disegni, gouaches ed incisioni sono, nel Settecento e nell’Ottocento, numerosissime e variegate. Realizzate da pittori ed incisori tanto napoletani quanto stranieri, si diffondono per tutta Europa, in Russia e nelle Americhe. Esse contribuiscono a fare della tarantella una sorta di rappresentazione mitica internazionale della gioia della danza, del corpo e dell’amore. Nella mia relazione discuterò alcune immagini particolarmente esemplari di questo mito, tra Settecento e Ottocento, e concluderò mostrando brevemente la ripresa che negli ultimi decenni la taranta ha conosciuto in Italia, attirando giovani e adulti in mega manifestazioni pop.
Breve Biografia
Massimo Privitera (Catania, 1956) lecionou disciplinas musicológicas nas Universidades da Calábria e de Palermo. É membro do comitê científico do Centro Studi Canzone Napoletana e das séries editoriais relacionadas (Lucca, LIM), e da Musiche Rinascimentali Siciliane (Florença, Olschki). Para a Fundação Levi de Veneza colabora na organização dos seminários doutorais do Campus Levi e coordena o grupo de investigação Estudos Musicais Modernos. Publicou ensaios sobre a música de Monteverdi, Marenzio, Vecchi, Banchieri, Gesualdo, Celano, bem como sobre a produção de Erik Satie; e publicou uma monografia sobre Arcangelo Corelli. Editou as edições modernas dos Madrigals de Frescobaldi (com Lorenzo Bianconi), da Canzonette para seis vozes de Orazio Vecchi (com Rossana Dalmonte) e dos Madrigals de Achille Falcone. Ele editou a primeira tradução italiana dos escritos de Edward Lowinsky. Atualmente trabalha no nascimento e desenvolvimento do número opus, na música e no Eros e na relação entre música e artes visuais. Trata também da canção dos séculos XIX e XX: publicou ensaios sobre os irmãos Gershwin, sobre a Macchietta, sobre a canção napolitana, sobre a Barcarole, sobre o Café-Concert, sobre a imagem musical da pré-unificação de Nápoles oferecido por viajantes estrangeiros. Atua como regente de coral, vocalista e arranjador.















